Bibliografia
Tratamento da maxila severamente atrófica: chegou o momento de dizer adeus aos implantes zigomáticos e às extensas técnicas de aumento ósseo?
- 20 Outubro 2022
- Publicado por: anjaform
- Categoria: Estudos Clínicos e Relatos de Casos
Philippe Korn, Nils-Claudius Gellrich, Simon Spalthoff, Philipp Jehn, Fabian Eckstein,Fritjof Lentge, Alexander-Nicolai Zeller, Bjorn Rahlf
Tratamento da maxila severamente atrófica: chegou o momento de dizer adeus aos implantes zigomáticos e às extensas técnicas de aumento ósseo?
1. Referência científica
- Título do estudo: Tratamento da maxila severamente atrófica: chegou o momento de dizer adeus aos implantes zigomáticos e às extensas técnicas de aumento ósseo?
- Autores: Philippe Korn, Nils-Claudius Gellrich, Simon Spalthoff, Philipp Jehn, Fabian Eckstein, Fritjof Lentge, Alexander-Nicolai Zeller, Björn Rahlf
- Revista científica: Journal of Stomatology, Oral and Maxillofacial Surgery
- Ano de publicação: 2021
- DOI: 10.1016/j.jormas.2021.12.007
2. Contexto científico
A reabilitação implantossuportada da maxila severamente atrófica continua a representar um dos maiores desafios da implantodontia e da cirurgia oral e maxilofacial. A reduzida disponibilidade óssea frequentemente impede a colocação de implantes convencionais, tornando necessárias técnicas reconstrutivas complexas ou a utilização de implantes zigomáticos. Contudo, estas abordagens nem sempre são adequadas para todos os doentes e podem aumentar a complexidade cirúrgica.
O desenvolvimento de implantes subperiosteais personalizados introduz uma nova abordagem baseada no planeamento digital e na fabricação individualizada. Estes dispositivos são concebidos de acordo com a anatomia específica de cada paciente, procurando proporcionar suporte para a reabilitação protética mesmo em situações de atrofia maxilar avançada. O presente estudo analisa os primeiros resultados clínicos desta tecnologia em doentes com atrofia severa da maxila.
3. Objetivo do estudo
O objetivo principal deste estudo foi avaliar os resultados clínicos iniciais da utilização de implantes subperiosteais personalizados (IPS Implant® Preprosthetic) em pacientes com atrofia severa da maxila. A investigação concentrou-se na estabilidade clínica dos implantes, na realização da reabilitação protética e na ocorrência de complicações durante o período de acompanhamento.
4. Metodologia
Trata-se de um estudo retrospetivo monocêntrico, realizado na Hannover Medical School. Foram analisados todos os pacientes tratados com implantes personalizados IPS Implant® devido a atrofia severa da maxila. Foram excluídos indivíduos com antecedentes de neoplasia maligna, fenda lábio-palatina ou traumatismo.
Entre 58 implantes colocados no total, 13 implantes correspondentes a 10 pacientes preencheram os critérios de inclusão desta análise. O tempo médio de acompanhamento foi de 8,2 meses, variando entre 1 e 29 meses. A avaliação incidiu sobre a estabilidade clínica dos implantes, a reabilitação protética e a ocorrência de complicações pós-operatórias.
5. Principais resultados
Durante todo o período de seguimento descrito, todos os implantes avaliados permaneceram clinicamente estáveis. Além disso, todos os pacientes acompanhados durante mais de dois meses receberam a respetiva reabilitação protética.
Foram registadas algumas complicações, incluindo fraturas de parafusos, infeções e exposição da estrutura do implante. De acordo com os autores, nenhuma destas ocorrências resultou na perda do implante durante o período de observação.
Os resultados apresentados correspondem a uma experiência clínica inicial obtida numa amostra reduzida de pacientes. Consequentemente, devem ser interpretados com prudência até que estudos com maior número de casos e acompanhamento mais prolongado estejam disponíveis.
6. Análise clínica
Os dados desta investigação sugerem que os implantes subperiosteais personalizados poderão constituir uma alternativa terapêutica para a reabilitação de maxilas severamente atróficas. A estabilidade clínica observada e a possibilidade de concluir a reabilitação protética indicam que esta tecnologia poderá ampliar as opções disponíveis para pacientes com anatomias particularmente desfavoráveis.
O estudo assume especial relevância por incluir doentes com antecedentes de insucesso em tratamentos implantológicos, um grupo frequentemente associado a maior complexidade clínica.
No entanto, os resultados não permitem concluir que esta abordagem seja superior aos implantes zigomáticos ou às técnicas convencionais de aumento ósseo, uma vez que não foi efetuada qualquer comparação direta entre os diferentes tratamentos.
Além disso, o desenho retrospetivo, a reduzida dimensão da amostra e o curto período de seguimento limitam a robustez das conclusões. Assim, estas observações devem ser consideradas preliminares e carecem de confirmação através de estudos prospetivos de maior dimensão e com acompanhamento a longo prazo.
7. Aplicações clínicas
Os resultados poderão ser relevantes na abordagem de pacientes com atrofia severa da maxila que necessitam de reabilitação implantossuportada complexa. Os implantes subperiosteais personalizados poderão representar uma opção em casos cuidadosamente selecionados, especialmente quando a colocação de implantes convencionais não é viável ou após insucessos implantológicos prévios.
O estudo evidencia igualmente o crescente interesse pelas soluções implantológicas personalizadas, desenvolvidas através de planeamento digital e fabrico individualizado. Contudo, as evidências atualmente disponíveis não permitem estabelecer indicações clínicas definitivas nem demonstrar vantagens relativamente aos implantes zigomáticos ou às técnicas de aumento ósseo.
8. Nível de evidência, limitações e transparência
Esta publicação corresponde a um estudo observacional retrospetivo monocêntrico, representando um nível de evidência clínica limitado.
Entre as principais limitações metodológicas destacam-se o reduzido número de pacientes incluídos, a ausência de grupo de controlo e o período relativamente curto de acompanhamento. Os próprios autores referem que serão necessários estudos com amostras maiores e seguimento mais prolongado para confirmar estes resultados iniciais.
Nas informações disponibilizadas não são mencionados conflitos de interesse nem relações declaradas com o fabricante do implante.
9. Pontos-chave do estudo
- Tipo de estudo: Estudo observacional retrospetivo monocêntrico.
- Nível de evidência: Estudo clínico retrospetivo.
- População estudada: 10 pacientes com atrofia severa da maxila.
- Número de implantes: 13 implantes analisados (58 implantes colocados no total).
- Tempo médio de acompanhamento: 8,2 meses (intervalo de 1 a 29 meses).
- Desfecho principal: Estabilidade dos implantes, reabilitação protética e complicações.
- Principal resultado: Todos os implantes permaneceram clinicamente estáveis durante o acompanhamento.
- Conclusão científica: Os implantes subperiosteais personalizados constituem uma alternativa promissora que necessita de validação adicional através de estudos de maior dimensão.
- Principais limitações: Amostra reduzida, estudo retrospetivo, ausência de grupo de controlo e acompanhamento limitado.
10. Impacto científico
Este estudo fornece evidência clínica inicial sobre a utilização de implantes subperiosteais personalizados na reabilitação de maxilas severamente atróficas. A sua principal contribuição consiste em demonstrar a viabilidade clínica desta abordagem personalizada num grupo de pacientes com necessidades reconstrutivas particularmente complexas.
Embora os resultados a curto prazo sejam encorajadores, a investigação não permite estabelecer conclusões definitivas quanto ao desempenho a longo prazo nem comparar esta técnica com outras modalidades terapêuticas. Os autores defendem, por isso, a realização de estudos prospetivos com maior número de participantes e períodos de observação mais prolongados, de forma a definir o verdadeiro papel desta tecnologia na implantodontia contemporânea.
11. Conclusão editorial
Este estudo retrospetivo apresenta resultados preliminares favoráveis relativamente à utilização de implantes subperiosteais personalizados em pacientes com atrofia severa da maxila. A estabilidade clínica observada e a possibilidade de completar a reabilitação protética sugerem que esta abordagem poderá representar uma opção adicional em casos complexos cuidadosamente selecionados. Contudo, a reduzida dimensão da amostra e o curto período de acompanhamento exigem uma interpretação prudente destes resultados, que deverão ser confirmados por estudos clínicos mais robustos e de longo prazo.
