Bibliografia
Resposta dos Tecidos Moles e Identificação dos Fatores de Risco Associados à Recessão Mucosa e à Mucosite após a Colocação de Implantes Subperiosteais Maxilares Produzidos por Fabricação Aditiva (AMSJI)
- 28 Abril 2024
- Publicado por: anjaform
- Categoria: Complicações
Casper Van den Borre, Björn De Neef, Natalie A J Loomans, Marco Rinaldi, Erik Nout, Peter Bouvry, Ignace Naert, Karlijn J Van Stralen, Maurice Y Mommaerts
Full text link: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37910836/
Resposta dos Tecidos Moles e Identificação dos Fatores de Risco Associados à Recessão Mucosa e à Mucosite após a Colocação de Implantes Subperiosteais Maxilares Produzidos por Fabricação Aditiva (AMSJI)
1. Referência científica
- Título do estudo: Resposta dos Tecidos Moles e Identificação dos Fatores de Risco Associados à Recessão Mucosa e à Mucosite após a Colocação de Implantes Subperiosteais Maxilares Produzidos por Fabricação Aditiva (AMSJI)
- Autores: Casper Van den Borre, Björn De Neef, Natalie A. J. Loomans, Marco Rinaldi, Erik Nout, Peter Bouvry, Ignace Naert, Karlijn J. Van Stralen, Maurice Y. Mommaerts
- Revista científica: Não especificada nos dados fornecidos.
- Ano de publicação: 2023
- DOI: 10.11607/jomi.10490
2. Contexto científico
A reabilitação implantossuportada de pacientes com atrofia severa do maxilar superior continua a representar um dos maiores desafios da implantologia oral contemporânea. Quando a quantidade de osso disponível é insuficiente para a colocação de implantes endósseos convencionais, os implantes subperiosteais personalizados produzidos por fabricação aditiva (AMSJI) surgem como uma alternativa baseada no planeamento digital e na impressão tridimensional personalizada.
Contudo, o sucesso clínico desta abordagem não depende apenas da estabilidade mecânica do implante. A manutenção de tecidos moles peri-implantares saudáveis é igualmente determinante para a longevidade da reabilitação protética. A ocorrência de recessão da mucosa ou de mucosite pode expor a estrutura metálica do implante, dificultando a manutenção clínica e comprometendo o resultado funcional ao longo do tempo. Neste contexto, o presente estudo procura compreender a resposta biológica dos tecidos moles após a colocação de AMSJI e identificar os fatores clínicos associados ao desenvolvimento destas complicações.
3. Objetivo do estudo
O principal objetivo desta investigação foi avaliar a resposta dos tecidos moles após a colocação bilateral de implantes subperiosteais AMSJI no maxilar superior de pacientes com atrofia óssea avançada. Paralelamente, os autores procuraram identificar os fatores clínicos associados a um maior risco de recessão da mucosa e de mucosite peri-implantar.
4. Metodologia
Foi realizado um estudo observacional multicêntrico internacional envolvendo 40 pacientes com reabsorção severa do maxilar superior, classificada como Classe V ou superior segundo a classificação de Cawood e Howell. Todos os participantes tinham sido reabilitados com implantes AMSJI bilaterais há pelo menos um ano antes da avaliação clínica.
Foram recolhidos dados demográficos e clínicos dos pacientes, seguidos de um exame clínico destinado a avaliar a estabilidade dos implantes e o estado dos tecidos moles peri-implantares. A investigação incidiu particularmente na identificação de recessão da mucosa e de mucosite. O período médio de acompanhamento foi de 917 dias. O resumo disponível não fornece informações adicionais sobre os protocolos clínicos utilizados nem sobre a metodologia estatística.
5. Principais resultados
Todos os implantes apresentaram estabilidade primária satisfatória após a cirurgia e foram posteriormente reabilitados com próteses definitivas. Durante o período de acompanhamento, apenas um paciente apresentou mobilidade bilateral dos implantes superior a 1 mm.
As complicações biológicas relacionadas com os tecidos moles revelaram-se significativamente mais frequentes do que os problemas de estabilidade mecânica. Em 26 dos 40 pacientes (65%) verificou-se recessão da mucosa com consequente exposição da estrutura do implante, ocorrendo predominantemente nas regiões médio-laterais direita e esquerda.
A análise estatística demonstrou que um biótipo mucoso fino e a presença de mucosite estavam significativamente associados ao desenvolvimento de recessão (P < 0,05). O tabagismo também apresentou uma tendência para aumentar o risco de recessão, com uma odds ratio de 6,88 em comparação com os não fumadores, embora esta associação não tenha atingido significância estatística (P = 0,08).
6. Análise clínica
Os resultados sugerem que o sucesso dos implantes subperiosteais personalizados não deve ser avaliado apenas pela sua estabilidade mecânica. Apesar de praticamente todos os implantes permanecerem estáveis ao longo do acompanhamento, as alterações dos tecidos moles constituíram uma das principais complicações observadas.
A associação entre um biótipo mucoso fino e a recessão indica que as características dos tecidos peri-implantares podem desempenhar um papel importante na manutenção da cobertura da estrutura implantária. Da mesma forma, a relação observada entre mucosite e recessão reforça a importância do controlo da inflamação peri-implantar durante o acompanhamento clínico.
Na prática clínica, estes resultados evidenciam a necessidade de uma avaliação criteriosa dos tecidos moles antes da cirurgia, bem como de um programa de manutenção que permita identificar precocemente sinais inflamatórios ou alterações da mucosa. Contudo, por se tratar de um estudo observacional sem grupo de controlo, as associações identificadas não devem ser interpretadas como relações causais definitivas.
7. Aplicações clínicas
Os dados deste estudo são particularmente relevantes para a reabilitação de pacientes com atrofia severa do maxilar superior através de implantes subperiosteais personalizados. Os resultados destacam a importância da avaliação do biótipo dos tecidos moles durante o planeamento do tratamento e da implementação de um acompanhamento clínico rigoroso após a colocação da prótese.
Pacientes com biótipo mucoso fino ou com sinais de mucosite poderão beneficiar de uma vigilância clínica mais frequente. No entanto, os dados disponíveis não permitem estabelecer protocolos preventivos específicos nem recomendações terapêuticas adicionais.
8. Nível de evidência, limitações e transparência
Esta publicação corresponde a um estudo observacional multicêntrico internacional. O seu nível de evidência é inferior ao de ensaios clínicos aleatorizados, mas fornece dados clínicos relevantes sobre uma técnica de reabilitação implantar relativamente recente.
A ausência de um grupo de controlo constitui uma limitação metodológica que pode ser inferida a partir do desenho do estudo. O resumo disponível não descreve outras limitações metodológicas. Da mesma forma, não são fornecidas informações sobre financiamento ou potenciais conflitos de interesse dos autores, pelo que esses aspetos não podem ser avaliados.
9. Pontos-chave do estudo
- Tipo de estudo: Estudo observacional multicêntrico internacional.
- Nível de evidência: Estudo clínico observacional.
- População estudada: Pacientes com atrofia severa do maxilar superior (Classe V ou superior de Cawood e Howell).
- Número de pacientes: 40.
- Tempo médio de acompanhamento: 917 ± 307 dias.
- Principal desfecho avaliado: Resposta dos tecidos moles e identificação de fatores associados à recessão mucosa após a colocação de implantes AMSJI.
- Principal resultado: Exposição da estrutura implantária por recessão da mucosa em 65% dos pacientes.
- Fatores de risco significativos: Biótipo mucoso fino e mucosite.
- Conclusão científica: As complicações dos tecidos moles representam um aspeto importante do acompanhamento clínico após a reabilitação com AMSJI.
- Limitações: Ausência de grupo de controlo; outras limitações não são especificadas nos dados fornecidos.
10. Impacto científico
Este estudo acrescenta evidência clínica sobre o comportamento dos tecidos moles em torno de implantes subperiosteais personalizados produzidos por fabricação aditiva em pacientes com atrofia avançada do maxilar superior. Enquanto muitos trabalhos se concentram na viabilidade técnica e na estabilidade dos implantes, esta investigação direciona a atenção para os fatores biológicos que podem influenciar a evolução clínica destes tratamentos.
A identificação do biótipo mucoso e da mucosite como fatores associados à recessão contribui para uma melhor compreensão das complicações biológicas relacionadas com esta abordagem terapêutica. Estes resultados poderão servir de base para futuras investigações prospetivas e comparativas destinadas a confirmar estas associações e a avaliar estratégias de prevenção e manutenção mais eficazes.
11. Conclusão editorial
Este estudo observacional fornece informações relevantes sobre a resposta dos tecidos moles após a reabilitação de maxilares severamente atróficos com implantes subperiosteais AMSJI. Embora a estabilidade implantar se tenha mantido elevada durante o período de acompanhamento, a recessão da mucosa revelou-se uma complicação biológica frequente, particularmente associada a um biótipo mucoso fino e à presença de mucosite. Apesar das limitações inerentes ao desenho do estudo, os resultados reforçam a importância da avaliação dos tecidos moles e de um acompanhamento biológico prolongado em reabilitações implantossuportadas complexas.
