Bibliografia
Revisão retrospectiva descritiva de 18 anos sobre implantes subperiosteais em pacientes com mandíbulas edêntulas gravemente atróficas
- 9 Agosto 2004
- Publicado por: anjaform
- Categoria: Estudos Históricos sobre Implantes Subperiosteais
Dorsey J. Moore, Paul A. Hansen
Full text link: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15295323/
Revisão retrospectiva descritiva de 18 anos sobre implantes subperiosteais em pacientes com mandíbulas edêntulas gravemente atróficas
1. Referência científica
- Título do estudo: A descriptive 18-year retrospective review of subperiosteal implants for patients with severely atrophied edentulous mandibles
- Autores: Dorsey J. Moore, Paul A. Hansen
- Revista científica: The Journal of Prosthetic Dentistry
- Ano de publicação: 2004
- DOI:1016/j.prosdent.2004.05.018
2. Contexto científico
A reabilitação de pacientes totalmente edêntulos com atrofia mandibular severa continua a representar um dos maiores desafios da implantodontia e da prótese dentária. A reabsorção óssea avançada pode comprometer significativamente a retenção e a estabilidade das próteses totais convencionais, afetando a função mastigatória, o conforto e a qualidade de vida do paciente. Antes da ampla disseminação das técnicas modernas de regeneração óssea e dos implantes endósseos, os implantes subperiosteais constituíam uma alternativa para pacientes cuja disponibilidade óssea era insuficiente para a instalação de implantes convencionais.
Este estudo analisa a evolução clínica desses implantes ao longo de um período prolongado de acompanhamento. Os resultados fornecem informações relevantes sobre o desempenho clínico dos implantes subperiosteais mandibulares em pacientes com atrofia óssea acentuada, contribuindo para a compreensão histórica das estratégias de reabilitação implantossuportada nesse grupo de pacientes.
3. Objetivo do estudo
O objetivo desta investigação retrospectiva foi avaliar a sobrevivência clínica dos implantes subperiosteais mandibulares instalados entre 1982 e 2000 no programa de Prótese da University of Missouri–Kansas City. Os autores também analisaram a estabilidade dos implantes, a ocorrência de possíveis complicações clínicas e o grau de satisfação dos pacientes com suas sobredentaduras mandibulares suportadas por implantes.
4. Metodologia
Trata-se de um estudo observacional retrospectivo, envolvendo 40 pacientes totalmente edêntulos com atrofia mandibular severa. Cada paciente recebeu um implante subperiosteal mandibular entre 1982 e 2000.
Na avaliação clínica realizada em 2000, 39 dos 40 pacientes puderam ser reexaminados, uma vez que um paciente havia falecido. A avaliação incluiu testes manuais para verificar a estabilidade da estrutura do implante, observação de possível mobilidade, identificação de sinais inflamatórios e inspeção para detectar eventual exposição intraoral da estrutura implantária. Os pacientes também foram questionados sobre dor, desconforto, satisfação e se a prótese implantossuportada atendia às suas expectativas. O tempo médio de funcionamento dos implantes foi de 8 anos, sendo que alguns permaneceram em serviço por mais de 10 anos.
5. Principais resultados
Entre os pacientes reavaliados, a grande maioria dos implantes permaneceu clinicamente funcional. Trinta e oito implantes não apresentavam mobilidade nem sinais clínicos de inflamação durante o exame. Apenas um paciente, portador de diabetes, apresentou inflamação localizada ao redor de um dos componentes estruturais do implante.
Nenhum paciente apresentou exposição intraoral da estrutura do implante. Todos continuavam utilizando suas próteses implantossuportadas no momento da avaliação clínica. Além disso, todos relataram elevado grau de satisfação com o tratamento e afirmaram não apresentar dor nem desconforto relacionado à prótese.
De forma geral, os resultados indicam que os implantes subperiosteais mandibulares avaliados nesta coorte mantiveram desempenho clínico satisfatório ao longo de vários anos de funcionamento.
6. Análise clínica
Este estudo oferece uma importante perspectiva clínica de longo prazo sobre uma técnica implantológica atualmente pouco utilizada, mas que desempenhou papel relevante no tratamento de pacientes com atrofia mandibular severa. Os resultados observados sugerem que, nessa população específica, os implantes subperiosteais foram capazes de proporcionar suporte estável para a reabilitação protética durante muitos anos.
A ausência de mobilidade na maioria dos implantes e a baixa ocorrência de complicações inflamatórias representam achados clínicos favoráveis. Da mesma forma, o elevado nível de satisfação relatado pelos pacientes demonstra que essa modalidade de tratamento foi capaz de proporcionar conforto e função mastigatória durante o período avaliado.
Entretanto, esses resultados devem ser interpretados com cautela. Trata-se de uma série retrospectiva sem grupo de controle, o que impede comparações diretas com abordagens contemporâneas, como implantes endósseos associados ou não a procedimentos de enxertia ou regeneração óssea. Além disso, o resumo disponível não fornece informações suficientes para identificar os fatores responsáveis pelo sucesso clínico observado. Assim, esta publicação deve ser considerada principalmente como um registro histórico da experiência clínica com implantes subperiosteais, e não como evidência definitiva em favor dessa técnica.
7. Aplicações clínicas
Os resultados desta investigação são aplicáveis especificamente a pacientes totalmente edêntulos com atrofia mandibular severa tratados com implantes subperiosteais para suporte de sobredentaduras mandibulares.
Sob a perspectiva da prática clínica atual, o estudo contribui para a compreensão da evolução histórica das estratégias de reabilitação implantar em pacientes com disponibilidade óssea extremamente reduzida. Também pode servir de referência para profissionais envolvidos no acompanhamento de pacientes que ainda apresentam implantes subperiosteais em função. No entanto, os dados disponíveis não permitem estabelecer comparações com os protocolos implantológicos modernos.
8. Nível de evidência, limitações e transparência
Esta publicação corresponde a um estudo observacional retrospectivo, sendo considerada de nível de evidência moderado a baixo quando comparada a ensaios clínicos prospectivos e controlados.
As principais limitações decorrem do desenho retrospectivo, da ausência de grupo controle e do fato de os dados serem provenientes de um único centro universitário, fatores que restringem a generalização dos resultados.
O resumo disponível não apresenta informações sobre financiamento da pesquisa nem declarações de conflitos de interesse dos autores. Da mesma forma, não descreve limitações metodológicas adicionais além daquelas inerentes ao próprio delineamento do estudo.
9. Pontos-chave do estudo
- Tipo de estudo: Estudo observacional retrospectivo descritivo.
- Nível de evidência: Série de casos retrospectiva.
- População estudada: 40 pacientes totalmente edêntulos com atrofia mandibular severa.
- Número de implantes: 40 implantes subperiosteais mandibulares.
- Período de acompanhamento: Implantes instalados entre 1982 e 2000; tempo médio de funcionamento de 8 anos.
- Desfecho principal: Sobrevivência clínica e desempenho funcional dos implantes subperiosteais.
- Principal resultado: 38 implantes permaneceram estáveis, sem mobilidade ou sinais clínicos de inflamação.
- Resultados relatados pelos pacientes: Todos os pacientes avaliados relataram elevado grau de satisfação e ausência de dor ou desconforto.
- Conclusão científica: A maioria dos implantes manteve-se funcional durante o período de observação.
- Principais limitações: Estudo retrospectivo, ausência de grupo controle e experiência de um único centro.
10. Impacto científico
Este estudo representa uma importante fonte de dados clínicos de longo prazo sobre o desempenho dos implantes subperiosteais mandibulares em pacientes com atrofia óssea severa. Em vez de introduzir uma nova abordagem terapêutica, documenta os resultados obtidos com uma técnica que desempenhou papel relevante antes da consolidação das atuais modalidades de implantodontia.
Sua principal contribuição científica consiste em preservar evidências sobre a evolução clínica desses implantes ao longo do tempo, enriquecendo o conhecimento histórico da reabilitação oral implantossuportada. Embora a implantodontia contemporânea utilize estratégias diferentes, os achados permanecem relevantes para a compreensão da evolução da especialidade e para a avaliação clínica de pacientes que ainda utilizam implantes subperiosteais. Assim, a publicação possui sobretudo valor histórico e documental dentro da literatura científica.
11. Conclusão editorial
Esta revisão retrospectiva demonstra que, na coorte analisada, os implantes subperiosteais mandibulares permaneceram clinicamente funcionais durante vários anos, acompanhados por elevado grau de satisfação dos pacientes e por um número reduzido de complicações observadas. Considerando o delineamento retrospectivo do estudo e seu nível de evidência, os resultados devem ser interpretados com prudência. A publicação constitui principalmente uma contribuição histórica para a literatura sobre reabilitação implantar de pacientes com mandíbulas gravemente atróficas.
