Bibliografia
Implantes subperiosteais planejados virtualmente: acompanhamento de 3 anos. Dicas práticas e recomendações técnicas para um manejo clínico adequado
- 4 Agosto 2026
- Publicado por: anjaform
- Categoria: Estudos Clínicos e Relatos de Casos
Paolo Cariati, Fernando Pérez Salazar, Lydia Fraile Ruíz, Carlos Hugo Martínez Martínez, Ildefonso Martinez Lara
Full text link: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40835492/
Implantes subperiosteais planejados virtualmente: acompanhamento de 3 anos. Dicas práticas e recomendações técnicas para um manejo clínico adequado
1. Referência científica
- Título do estudo: Virtual surgical planned subperiosteal implants. 3 years of follow up. Tips and tricks for a proper management
- Autores: Paolo Cariati, Fernando Pérez Salazar, Lydia Fraile Ruíz, Carlos Hugo Martínez Martínez, Ildefonso Martinez Lara
- Revista científica: Journal of Cranio-Maxillofacial Surgery
- Ano de publicação: 2025
- DOI: 10.1016/j.jcms.2025.08.008
2. Contexto científico
A atrofia maxilar severa continua sendo um dos maiores desafios da implantodontia contemporânea e da reabilitação oral. Em pacientes com perda óssea avançada, os protocolos convencionais frequentemente exigem enxertos ósseos ou procedimentos de aumento ósseo, intervenções que podem prolongar o tratamento, aumentar a morbidade cirúrgica e, em alguns casos, requerer anestesia geral. Entretanto, nem todos os pacientes aceitam esse tipo de abordagem terapêutica.
O desenvolvimento dos fluxos digitais de trabalho, do planejamento cirúrgico virtual e das tecnologias CAD/CAM trouxe um novo interesse pelos implantes subperiosteais personalizados. A possibilidade de fabricar estruturas individualizadas com base na anatomia do paciente amplia as opções terapêuticas para casos complexos de atrofia maxilar. Nesse contexto, este estudo avalia os resultados clínicos de três anos dessa abordagem e apresenta recomendações técnicas fundamentadas na experiência clínica dos autores para otimizar sua execução.
3. Objetivo do estudo
O objetivo principal foi avaliar os resultados clínicos, após três anos de acompanhamento, de implantes subperiosteais personalizados planejados digitalmente em pacientes com atrofia maxilar severa que recusaram implantes convencionais ou procedimentos de enxerto ósseo.
Além disso, os autores procuraram analisar as complicações observadas durante o seguimento clínico e descrever recomendações técnicas que possam contribuir para uma melhor execução cirúrgica.
4. Metodologia
Trata-se de uma série retrospectiva de casos clínicos.
Foram incluídos doze pacientes com atrofia maxilar classificada como classes V e VI segundo a classificação de Cawood e Howell. Todos recusaram os tratamentos convencionais baseados em enxertos ósseos ou implantes endósseos tradicionais.
O planejamento foi realizado por meio da integração de tomografia computadorizada facial e escaneamento intraoral, permitindo a fabricação de implantes subperiosteais personalizados. Após a preparação óssea, as estruturas foram fixadas com parafusos autorroscantes. Todos os pacientes receberam carga protética imediata em até 24 horas após a cirurgia realizada sob anestesia local.
Os principais desfechos avaliados foram a taxa de sobrevivência dos implantes após três anos e a ocorrência de complicações pós-operatórias. Outros detalhes metodológicos não são apresentados no resumo disponível.
5. Principais resultados
Todos os doze pacientes receberam com sucesso a reabilitação protética imediata dentro das primeiras 24 horas após o procedimento cirúrgico.
Complicações foram registradas em quatro pacientes durante o período de acompanhamento. Dois casos apresentaram exposição da estrutura do implante, sendo conduzidos de forma conservadora. Um paciente em uso de anticoagulantes apresentou sangramento pós-operatório. Houve ainda um caso de falha do implante atribuída a remodelação óssea insuficiente, posteriormente corrigida por meio de uma cirurgia de revisão.
Após três anos de acompanhamento, a taxa de sobrevivência implantar relatada foi de 91,7%.
Embora aproximadamente um terço dos pacientes tenha apresentado algum tipo de complicação, os autores relatam que essas intercorrências, na maioria das situações, puderam ser controladas sem comprometer a função clínica a longo prazo.
6. Análise clínica
Esta série de casos reforça o potencial dos implantes subperiosteais personalizados associados ao planejamento digital como alternativa para pacientes com atrofia maxilar avançada que não desejam ou não aceitam procedimentos convencionais de reconstrução óssea.
O estudo evidencia que um fluxo digital bem estruturado, aliado ao planejamento virtual e à fabricação personalizada dos implantes, pode viabilizar a reabilitação oral imediata em situações anatômicas particularmente desafiadoras. Outro aspecto relevante é a descrição de recomendações técnicas derivadas da experiência dos autores, incluindo a evitação de incisões laterais, o uso de duas guias cirúrgicas e a realização prévia de perfurações piloto. Esses cuidados ressaltam a importância da precisão cirúrgica para reduzir dificuldades operatórias e favorecer resultados clínicos previsíveis.
Apesar desses achados, a interpretação dos resultados deve permanecer cautelosa. O desenho retrospectivo, o número reduzido de participantes e a ausência de grupo controle impedem comparações diretas com outras modalidades terapêuticas, como enxertos ósseos ou diferentes protocolos implantológicos. Assim, os dados demonstram a viabilidade clínica dessa abordagem em pacientes cuidadosamente selecionados, sem permitir afirmar superioridade em relação às alternativas convencionais.
7. Aplicações clínicas
Os resultados podem ser particularmente relevantes para pacientes com atrofia maxilar severa que recusam enxertos ósseos, tratamentos sob anestesia geral ou protocolos que exigem longos períodos de cicatrização.
O estudo também evidencia o potencial da cirurgia guiada, do planejamento implantar digital, das tecnologias CAD/CAM e dos implantes subperiosteais personalizados em reabilitações implantossuportadas complexas com carga imediata. As recomendações técnicas descritas pelos autores podem auxiliar na otimização dos protocolos cirúrgicos em cenários clínicos semelhantes aos avaliados nesta investigação.
8. Nível de evidência, limitações e transparência
Esta publicação corresponde a uma série retrospectiva de casos, caracterizando um baixo nível de evidência científica quando comparada a ensaios clínicos controlados ou revisões sistemáticas.
Entre as principais limitações metodológicas destacam-se o reduzido número de pacientes, a ausência de grupo controle e o delineamento retrospectivo do estudo. Esses fatores restringem a generalização dos resultados e impedem comparações diretas com outras estratégias de reabilitação implantar.
As informações disponibilizadas não mencionam conflitos de interesse nem vínculos dos autores com fabricantes de implantes.
Dessa forma, os resultados devem ser interpretados como evidências clínicas observacionais obtidas em uma população cuidadosamente selecionada.
9. Principais pontos do estudo
- Tipo de estudo: Série retrospectiva de casos clínicos.
- Nível de evidência: Baixo.
- População estudada: Pacientes com atrofia maxilar classes V e VI segundo Cawood e Howell.
- Número de pacientes: 12.
- Número de implantes: Não especificado nas informações disponíveis.
- Tempo de acompanhamento: 3 anos.
- Desfecho principal: Sobrevivência dos implantes e complicações pós-operatórias.
- Principal resultado: Taxa de sobrevivência implantar de 91,7% após três anos, com carga imediata realizada em todos os pacientes.
- Conclusão científica: Os implantes subperiosteais personalizados planejados virtualmente podem representar uma alternativa terapêutica para pacientes cuidadosamente selecionados que recusam procedimentos reconstrutivos convencionais, desde que associados a um planejamento rigoroso e à execução cirúrgica precisa.
- Principais limitações: Amostra reduzida, estudo retrospectivo e ausência de grupo controle.
10. Impacto científico
Este estudo amplia o conjunto de evidências clínicas relacionadas ao uso contemporâneo dos implantes subperiosteais dentro de um fluxo digital de tratamento. Mais do que reintroduzir uma técnica conhecida, demonstra como a integração entre planejamento virtual e fabricação personalizada pode atualizar esse conceito para atender casos complexos de atrofia maxilar.
Além dos resultados clínicos apresentados, o trabalho oferece recomendações técnicas derivadas da experiência dos autores, que podem contribuir para o aperfeiçoamento dos protocolos cirúrgicos em reabilitações implantológicas complexas. Contudo, devido ao limitado nível de evidência, esses achados devem ser considerados preliminares e servir como base para futuras pesquisas prospectivas com amostras maiores e comparações diretas com outras abordagens terapêuticas.
11. Conclusão editorial
Esta série retrospectiva de casos sugere que os implantes subperiosteais personalizados, desenvolvidos por meio de planejamento digital, podem representar uma alternativa viável para pacientes selecionados com atrofia maxilar severa que recusam procedimentos convencionais de reconstrução óssea. Os resultados obtidos após três anos de acompanhamento e as recomendações técnicas apresentadas destacam o potencial de um fluxo de trabalho digital cuidadosamente planejado. No entanto, o baixo nível de evidência exige interpretação criteriosa dos resultados, sendo necessários estudos prospectivos controlados para confirmar esses achados.
