Bibliografia
Avaliação do sucesso clínico dos implantes subperiosteais personalizados impressos em 3D
- 20 Junho 2024
- Publicado por: anjaform
- Categoria: Estudos Clínicos e Relatos de Casos
Mustafa Ayhan, PhD, DDS, Merve Ozturk Muhtar, DDS,*Abdulsamet Kundakcioglu, PhD, DDS,Osman Kucukcakir, DDS,and Erol Cansiz, MD, PhD, DDS
Full text links: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38709056/
Avaliação do sucesso clínico dos implantes subperiosteais personalizados impressos em 3D
1. Referência científica
- Título do estudo: Evaluation of Clinical Success of the 3D-Printed Custom-Made Subperiosteal Implants
- Título traduzido: Avaliação do sucesso clínico dos implantes subperiosteais personalizados impressos em 3D
- Autores: Mustafa Ayhan, Merve Ozturk Muhtar, Abdulsamet Kundakcioglu, Osman Kucukcakir, Erol Cansiz
- Revista científica: Journal of Craniofacial Surgery
- Ano de publicação: 2024
- DOI: 10.1097/SCS.0000000000010148
- PMID: 38709056
2. Contexto científico
A reabilitação de pacientes com atrofia óssea avançada dos maxilares continua a representar um desafio significativo na implantologia dentária e na cirurgia oral. Em situações de perda óssea alveolar severa, a colocação de implantes endósseos convencionais pode ser inviável ou exigir procedimentos reconstrutivos complexos, aumentando a morbilidade e a complexidade do tratamento.
O desenvolvimento das tecnologias digitais, dos fluxos de trabalho CAD/CAM e da impressão 3D trouxe um renovado interesse pelos implantes subperiosteais personalizados. Estes dispositivos são concebidos especificamente para a anatomia de cada paciente, permitindo uma adaptação à superfície óssea residual e oferecendo uma potencial alternativa para casos em que as soluções implantológicas tradicionais apresentam limitações.
Neste contexto, a avaliação dos resultados clínicos e das complicações associadas a esta abordagem torna-se essencial para compreender o seu potencial contributo na reabilitação oral de casos complexos e na gestão de pacientes com atrofia maxilar ou mandibular severa.
3. Objetivo do estudo
O principal objetivo deste estudo foi avaliar os resultados clínicos obtidos com implantes subperiosteais personalizados produzidos através de tecnologia de impressão 3D em pacientes com perda óssea alveolar avançada.
Os autores procuraram igualmente identificar e analisar as complicações observadas durante o procedimento cirúrgico e ao longo do acompanhamento clínico, de forma a determinar a viabilidade desta alternativa terapêutica em situações nas quais os implantes endósseos convencionais não podem ser utilizados.
4. Metodologia
Foram analisados dados clínicos e radiográficos de pacientes submetidos à colocação de implantes subperiosteais devido a atrofia óssea alveolar severa.
Inicialmente, a amostra incluía 32 pacientes. No entanto, um paciente fumador foi excluído da análise, resultando numa população final de 31 pacientes. Entre estes, 27 foram tratados por edentulismo total, 3 apresentavam antecedentes de maxilectomia e 1 apresentava perda dentária parcial.
No total, foram colocados 60 implantes subperiosteais personalizados. O período médio de acompanhamento reportado foi de 15 meses.
A análise incidiu sobre ocorrências intraoperatórias e sobre complicações biológicas e protéticas observadas durante o seguimento clínico. Os critérios específicos utilizados para definir o sucesso clínico não são descritos no resumo disponibilizado.
5. Principais resultados
Durante a fase cirúrgica foram registadas diversas intercorrências relacionadas com a adaptação e estabilização dos implantes. Problemas de adaptação entre o implante e o osso foram observados em 11 pacientes. Foi ainda reportada uma fratura da estrutura implantar em um paciente e perda da estabilidade primária durante a fixação com mini-parafusos em dois casos.
Não foram observadas complicações no período pós-operatório precoce. Contudo, ao longo do acompanhamento surgiram diversas complicações tardias de natureza biológica e mecânica.
As alterações dos tecidos moles constituíram a complicação biológica mais frequente. Foram observadas retrações dos tecidos moles em 12 pacientes. Em seis casos a retração limitava-se ao tecido queratinizado, enquanto nos restantes seis ultrapassava essa região. Foram igualmente registadas infeções dos tecidos moles em cinco pacientes e um caso de fístula oroantral.
Relativamente às complicações mecânicas, verificou-se o afrouxamento dos mini-parafusos de fixação em três pacientes.
Apesar destes eventos, os autores consideram que as complicações observadas são passíveis de gestão clínica adequada.
6. Análise clínica
Este estudo fornece dados clínicos relevantes sobre a utilização de implantes subperiosteais personalizados fabricados através de tecnologias digitais e impressão 3D. A investigação demonstra que esta abordagem pode ser aplicada em pacientes com condições anatómicas extremamente desafiantes, incluindo casos de atrofia óssea severa e edentulismo extenso.
Um dos aspetos mais importantes dos resultados apresentados é a identificação de complicações tanto durante o ato cirúrgico como no período pós-operatório tardio. As dificuldades de adaptação entre o implante e o osso evidenciam a importância de um planeamento digital rigoroso e de uma elevada precisão no processo de fabrico. Por outro lado, as complicações dos tecidos moles demonstram que a estabilidade biológica continua a ser um fator determinante para o sucesso deste tipo de reabilitação.
Do ponto de vista clínico, os resultados sugerem que os implantes subperiosteais personalizados podem representar uma opção terapêutica para pacientes que não dispõem de volume ósseo suficiente para a colocação de implantes endósseos convencionais. No entanto, a frequência das complicações observadas exige prudência na interpretação dos resultados.
Além disso, o período médio de acompanhamento de 15 meses não permite retirar conclusões definitivas sobre o comportamento destes implantes a longo prazo. Consequentemente, os resultados devem ser encarados como evidência clínica inicial que necessita de validação através de estudos futuros mais robustos.
7. Aplicações clínicas
Os resultados deste estudo podem ser particularmente relevantes em situações clínicas como:
- Atrofia severa do maxilar superior ou da mandíbula.
- Reabilitação implanto-suportada de pacientes totalmente edêntulos.
- Reconstruções após maxilectomia.
- Casos em que os implantes endósseos convencionais não são viáveis.
- Reabilitações baseadas em planeamento digital, tecnologia CAD/CAM e impressão 3D.
- Tratamentos personalizados em anatomias maxilofaciais complexas.
Os dados disponíveis sugerem que os implantes subperiosteais personalizados podem constituir uma alternativa terapêutica para casos cuidadosamente selecionados, sobretudo quando as opções convencionais são limitadas.
8. Nível de evidência, limitações e transparência
Com base nas informações disponíveis, este trabalho pode ser classificado como uma série de casos observacional derivada da experiência clínica de um único centro.
O nível de evidência é, portanto, inferior ao de ensaios clínicos randomizados, estudos prospetivos controlados ou revisões sistemáticas.
Entre as limitações identificáveis encontram-se o número relativamente reduzido de pacientes incluídos, a ausência de grupo de controlo, a inexistência de comparação direta com outras abordagens terapêuticas e o período médio de acompanhamento limitado a 15 meses.
Adicionalmente, o resumo não especifica os critérios utilizados para definir o sucesso clínico dos implantes.
Não são mencionados conflitos de interesse, financiamento industrial ou relações com fabricantes de implantes nas informações fornecidas. Assim, não é possível avaliar a influência potencial destes fatores sobre os resultados apresentados.
9. Pontos-chave do estudo
- Tipo de estudo: Série de casos observacional.
- Nível de evidência: Baixo a moderado.
- População analisada: 31 pacientes.
- Número de implantes: 60 implantes subperiosteais personalizados.
- Período de acompanhamento: Média de 15 meses.
- Critério principal avaliado: Sucesso clínico e complicações dos implantes subperiosteais impressos em 3D.
- Principal resultado: Foram observadas complicações intraoperatórias e pós-operatórias consideradas controláveis pelos autores.
- Conclusão científica: Os implantes subperiosteais personalizados podem representar uma alternativa terapêutica para maxilares severamente atróficos quando os implantes endósseos convencionais não podem ser utilizados.
- Limitações potenciais: Amostra reduzida, ausência de grupo de controlo e acompanhamento relativamente curto.
10. Impacto científico
Este estudo contribui para a crescente literatura científica dedicada aos implantes subperiosteais de nova geração desenvolvidos através de tecnologias digitais avançadas e fabrico aditivo. A sua relevância decorre da apresentação de resultados clínicos obtidos em pacientes com perda óssea significativa, um grupo frequentemente associado a desafios terapêuticos complexos.
Um dos contributos mais importantes da investigação é a descrição detalhada das complicações biológicas e mecânicas associadas ao tratamento. Esta informação permite uma compreensão mais abrangente não apenas da viabilidade da técnica, mas também dos riscos e dificuldades que podem surgir durante a sua aplicação clínica.
Embora o estudo não permita estabelecer conclusões definitivas relativamente à previsibilidade a longo prazo, fornece dados clínicos úteis para apoiar futuras investigações. Além disso, reforça a necessidade de estudos com amostras mais amplas, metodologias comparativas e períodos de acompanhamento mais prolongados para clarificar o papel destes implantes na reabilitação oral contemporânea.
11. Conclusão editorial
Este estudo apresenta evidência clínica inicial sobre a utilização de implantes subperiosteais personalizados impressos em 3D em pacientes com atrofia óssea avançada. Os resultados sugerem que esta abordagem pode ampliar as opções terapêuticas disponíveis em situações onde os implantes endósseos convencionais não são exequíveis. Contudo, a ocorrência de complicações biológicas e mecânicas, associada às limitações metodológicas da investigação, recomenda uma interpretação cautelosa dos resultados. Estudos futuros, com maior nível de evidência e acompanhamento a longo prazo, serão fundamentais para determinar de forma mais precisa a previsibilidade e a durabilidade desta solução terapêutica.
