Bibliografia
Soluções sem enxerto para a reabilitação da maxila atrófica: implantes zigomáticos versus implantes subperiósteos — uma revisão sistemática
- 17 Maio 2025
- Publicado por: anjaform
- Categoria: Revisão da literatura
V. S. Sudhir, Rajendra B. Prasad, Niranjani Krothapalli, Perukasrujan Kumar
Full text link: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40511161/
Soluções sem enxerto para a reabilitação da maxila atrófica: implantes zigomáticos versus implantes subperiósteos — uma revisão sistemática
1. Referência científica
- Título do estudo: Graftless Solutions for Rehabilitation of Atrophied Maxilla – Zygomatic Versus Subperiosteal Implants – A Systematic Review
- Autores: M. V. S. Sudhir, Rajendra B. Prasad, Niranjani Krothapalli, Perukasrujan Kumar
- Revista científica: Journal of Pharmacy and Bioallied Sciences
- Ano de publicação: 2025
- DOI: 10.4103/jpbs.jpbs_1802_24
- Tipo de publicação: Revisão sistemática
2. Contexto científico
A reabilitação da maxila severamente atrófica constitui um dos desafios mais complexos da implantologia dentária avançada. A redução significativa do volume ósseo disponível pode limitar a colocação convencional de implantes dentários e dificultar a utilização de protocolos baseados em reconstrução óssea ou procedimentos de enxertia.
Neste contexto, as abordagens sem enxerto ósseo têm despertado interesse crescente como alternativas terapêuticas para pacientes com deficiência óssea maxilar importante. Entre estas soluções destacam-se os implantes zigomáticos e os implantes subperiósteos personalizados.
Os implantes zigomáticos baseiam-se na obtenção de ancoragem no osso zigomático, permitindo ultrapassar limitações relacionadas com a perda óssea alveolar. Já os implantes subperiósteos modernos beneficiaram da evolução dos fluxos digitais, incluindo planeamento tridimensional, tecnologia CAD/CAM e fabrico personalizado.
A presente revisão sistemática analisa estas duas estratégias dentro da reabilitação implanto-protética de maxilas atróficas, procurando comparar os resultados clínicos disponíveis, as complicações associadas e os resultados relacionados com a satisfação dos pacientes.
3. Objetivo do estudo
O objetivo principal desta revisão sistemática foi comparar os resultados clínicos dos implantes zigomáticos e dos implantes subperiósteos utilizados na reabilitação de pacientes com maxila severamente atrófica.
Os autores avaliaram especificamente parâmetros como sobrevivência dos implantes, complicações associadas aos tratamentos e satisfação dos pacientes, procurando estabelecer uma visão mais clara sobre o papel destas duas estratégias de reabilitação sem recurso a enxertos ósseos.
4. Metodologia
O estudo foi realizado como uma revisão sistemática seguindo as recomendações PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses).
A pesquisa bibliográfica foi efetuada em diferentes bases de dados científicas, incluindo PubMed, Scopus, Web of Science e Cochrane Library. Foram selecionados estudos relacionados com implantes zigomáticos ou subperiósteos em pacientes com atrofia maxilar severa.
Os trabalhos incluídos apresentavam diferentes desenhos metodológicos, incluindo revisões sistemáticas, estudos clínicos randomizados, estudos de coorte e relatos de casos.
No total, foram analisados oito estudos. A população avaliada incluiu 623 pacientes tratados com implantes zigomáticos e 257 pacientes tratados com implantes subperiósteos. Os períodos de acompanhamento variaram entre 12 meses e mais de 6 anos, dependendo dos estudos incluídos.
Os principais parâmetros analisados foram a sobrevivência dos implantes, as complicações cirúrgicas e biológicas, a satisfação dos pacientes e o impacto das tecnologias digitais, como CAD/CAM e fabrico aditivo.
5. Resultados principais
A análise dos estudos incluídos demonstrou resultados clínicos favoráveis para ambas as estratégias de reabilitação implantológica sem enxerto.
Os implantes zigomáticos apresentaram uma taxa de sobrevivência reportada de 96,1%. Nos protocolos com carga imediata, os dados analisados indicaram uma sobrevivência de 98,1%. Entre as complicações descritas destacou-se a ocorrência de problemas relacionados com o seio maxilar, incluindo sinusite, reportada numa frequência de 14,2% nos dados avaliados.
Relativamente aos implantes subperiósteos, a revisão identificou uma taxa de sobrevivência a curto prazo de 97,8%. Os autores salientaram o papel das tecnologias CAD/CAM na melhoria da adaptação anatómica dos implantes personalizados e na redução da complexidade cirúrgica.
No entanto, os implantes subperiósteos apresentaram maior relevância de complicações relacionadas com os tecidos moles, nomeadamente deiscência dos tecidos moles, reportada em 25,6% dos dados analisados.
Ambas as modalidades demonstraram resultados positivos na reabilitação de maxilas severamente atróficas, embora os implantes zigomáticos disponham atualmente de maior documentação científica relativa ao acompanhamento a longo prazo.
6. Análise clínica
Esta revisão sistemática permite compreender duas estratégias distintas para resolver uma mesma situação clínica: a reabilitação implanto-suportada de pacientes com atrofia maxilar avançada.
Os implantes zigomáticos representam uma técnica com maior maturidade clínica e maior experiência acumulada na literatura analisada. A possibilidade de obter suporte no osso zigomático permite ultrapassar limitações associadas à insuficiência do osso alveolar residual, sendo uma alternativa considerada em situações de elevada complexidade anatómica.
Apesar destes resultados, esta abordagem apresenta desafios específicos. A relação anatómica com estruturas como o seio maxilar exige planeamento cirúrgico rigoroso, avaliação tridimensional adequada e experiência clínica diferenciada.
Os implantes subperiósteos representam uma evolução associada à personalização digital na implantologia moderna. A utilização de planeamento virtual, sistemas CAD/CAM e fabrico individualizado permite criar dispositivos adaptados às características anatómicas específicas de cada paciente.
Contudo, a evidência científica disponível para esta abordagem ainda é mais limitada, sobretudo relativamente aos resultados a longo prazo.
Os resultados desta revisão não permitem afirmar que uma técnica seja universalmente superior à outra. Em vez disso, indicam que a seleção terapêutica deve considerar fatores individuais, incluindo anatomia do paciente, experiência do profissional, objetivos protéticos e características do protocolo cirúrgico.
A decisão clínica em casos de atrofia maxilar severa deve, portanto, permanecer baseada numa avaliação personalizada e multidisciplinar.
7. Aplicações clínicas
Os resultados desta revisão são particularmente relevantes para pacientes com atrofia maxilar severa, nos quais a colocação convencional de implantes ou técnicas baseadas em enxertos ósseos podem apresentar limitações.
Os implantes zigomáticos podem integrar protocolos avançados de reabilitação implanto-protética quando é necessário recorrer a uma ancoragem alternativa ao osso alveolar convencional.
Os implantes subperiósteos podem representar uma solução personalizada em situações anatómicas complexas, especialmente quando associados a fluxos digitais de trabalho, planeamento tridimensional e tecnologias CAD/CAM.
Estas abordagens refletem a evolução da implantologia oral moderna para tratamentos cada vez mais individualizados, embora a indicação clínica deva permanecer baseada numa análise cuidadosa de cada caso.
8. Nível de evidência, limitações e transparência
Esta publicação corresponde a uma revisão sistemática, apresentando um nível de evidência superior relativamente a estudos isolados ou relatos de casos. No entanto, a força das conclusões depende da qualidade metodológica e da consistência dos estudos incluídos.
Os autores identificaram como limitações a heterogeneidade dos desenhos dos estudos e dos critérios utilizados para avaliação dos resultados, dificultando comparações diretas entre implantes zigomáticos e subperiósteos.
Foi também salientada a escassez de dados de longo prazo relativamente aos implantes subperiósteos.
O financiamento do estudo é atribuído à Continuum Oral Health Inc., Framingham, Massachusetts, Estados Unidos. Os autores declararam ausência de conflitos de interesse.
9. Pontos-chave do estudo
- Tipo de estudo: Revisão sistemática segundo critérios PRISMA
- Nível de evidência: Revisão sistemática
- Número de estudos incluídos: 8 estudos
- População analisada: 623 pacientes com implantes zigomáticos e 257 pacientes com implantes subperiósteos
- Tempo de acompanhamento: Entre 12 meses e mais de 6 anos, conforme os estudos incluídos
- Principais parâmetros avaliados: Sobrevivência dos implantes, complicações e satisfação dos pacientes
- Resultado principal: Ambas as técnicas apresentaram resultados favoráveis na reabilitação da maxila severamente atrófica
- Conclusão científica: Os implantes zigomáticos apresentam maior validação clínica a longo prazo, enquanto os implantes subperiósteos constituem uma alternativa personalizada em desenvolvimento
- Principais limitações: Heterogeneidade metodológica e dados limitados a longo prazo para implantes subperiósteos
10. Impacto científico
Esta revisão sistemática contribui para a literatura da implantologia avançada ao comparar duas estratégias sem enxerto utilizadas na reabilitação de maxilas severamente atróficas.
O principal contributo científico consiste na análise conjunta de uma técnica consolidada, representada pelos implantes zigomáticos, e de uma abordagem mais recente baseada na personalização digital dos implantes subperiósteos.
O estudo acompanha a evolução atual da implantologia, na qual a tecnologia digital, o planeamento virtual e o fabrico personalizado assumem um papel crescente na abordagem de situações anatómicas complexas.
Apesar dos resultados promissores dos implantes subperiósteos, os autores reforçam a necessidade de estudos adicionais com períodos de acompanhamento mais prolongados para confirmar o seu desempenho clínico a longo prazo.
Desta forma, a publicação fornece elementos importantes para a tomada de decisão clínica, mas não estabelece uma superioridade definitiva entre as duas técnicas.
11. Conclusão editorial
A reabilitação da maxila severamente atrófica continua a representar um desafio importante na implantologia dentária e na cirurgia oral avançada. Esta revisão sistemática indica que os implantes zigomáticos possuem atualmente maior experiência clínica e suporte científico a longo prazo, enquanto os implantes subperiósteos personalizados representam uma alternativa emergente impulsionada pelas tecnologias digitais.
Ambas as abordagens podem ser consideradas em casos selecionados, mas a escolha terapêutica deve basear-se numa avaliação individualizada da anatomia do paciente, da experiência cirúrgica disponível e dos objetivos protéticos da reabilitação implanto-suportada.
